No dia 28 de Julho, participei do curso de Nível 1: Fundamentos do método GTD, em Belo Horizonte. Para quem não conhece, o GTD (Getting Things Done) é um método de organização e produtividade criado por David Allen e descrito em seu livro “A Arte de Fazer Acontecer”. Este texto não pretende ser explicativo e não segue uma linha de raciocínio lógica – é mais uma tentativa de compartilhar o grande mergulho que foi esse encontro!

Lindsay Blevins Illustration

Bom, conheci o método através do blog Vida Organizada e, lá em 2012, aquilo não fazia muito sentido para mim. Pensava que o método era trabalhoso e a baixa complexidade da minha vida não demandava tanta organização.

Em 2013, iniciei uma jornada para ser mais organizada. Não seguia nenhum método e me apropriava de dicas ou técnicas que me pareciam pertinentes para o momento. Segui assim até o ano passado quando, de fato, senti que precisaria sim me dedicar à minha organização para dar conta de todas as responsabilidades que vinha assumindo.

Aproveito para pontuar que a falta de organização misturava-se com diversas questões de saúde mental até meados de 2014. E, hoje, percebo o quanto é difícil pensar sobre organização ou produtividade quando não temos perspectiva de vida. Tentar ser organizada ou produtiva só faz sentido quando embarcamos em uma jornada de autoconhecimento, quando estamos psicologicamente dispostos a descobrir quem somos e o que nos faz sentido. Por isso, procure ajuda caso perceba que a situação beira o patológico, tá? <3

Enfim, no final do ano passado, decidi comprar o tal livro e – caramba! –, como aprendi! Sentia que seguir um método significava estar presa a rotinas que não necessariamente me serviriam. O GTD mostra justamente que se o seu sistema de organização não é personalizado e coerente com a sua rotina de vida e trabalho, de fato, não é possível que perdure. Entendi portanto que era mais importante compreender os princípios propostos pelo autor e, dali, partiria para minha própria jornada de aperfeiçoamento do meu sistema.

Participar do curso foi uma experiência incrível. Sentar-me numa sala com outras 29 pessoas tão apaixonadas por organização e produtividade quanto eu trouxe um raro sentimento de pertencimento. Todos ali viam valor naquilo que estávamos aprendendo. Todos ali também se sentiam deslocados por vezes em seus respectivos ambientes de trabalho por serem considerados metódicos ou organizados demais. Todos ali já haviam ouvido a frase: não sei como você dá conta de tudo.

E era interessante perceber o quanto nós tínhamos a clareza de que não dávamos conta de tudo – porque isso simplesmente não é possível. Porém, quando temos clareza das nossas responsabilidades e das nossas escolhas, fica mais fácil organizar o cotidiano: entendemos que engajar em uma atividade é necessariamente negar uma outra. E a consciência fica tranquila quando sabemos o que estamos deixando de fazer em um momento e o porquê dessa decisão.

Foi sensacional também perceber o quanto a minha perspectiva de produtividade – de estar presente no aqui e no agora! – está alinhada com o que propõem as pessoas nas quais eu me inspiro. Como parte do meu trabalho envolve realizar capacitações de organização e produtividade, senti uma grande confiança naquilo que faço! Realmente, sou tão coerente quanto posso ser agora, vivencio o que digo e falo não apenas com todo meu coração, mas também com muito embasamento de pessoas que vivem tão mais intensamente esta rotina da presença!

Durante o curso, permaneceu uma mistura de sensações: era alívio, desespero e ansiedade. Alívio porque sabia que estava caminhando para ter clareza do que era minha vida no momento. Desespero por ver de frente a quantidade de informações a serem processadas e a complexidade inevitável da minha existência. Ansiedade, por fim, porque há nós dentro de mim que exigiam não mais serem ignorados e que, por muito tempo, insisti em mantê-los atados e no escuro.

Reinstalei o meu sistema essa semana e não me imagino vivendo de outra forma. Por enquanto, a sensação é de plenitude e calma. É de saber que com certeza dou conta de muito – porque quero. É de ter certeza e consciência tranquila quando deixo de assumir novas responsabilidades, por mais que às vezes clame a vontade de abraçar o mundo. É de aceitar o meu próprio ritmo. É de abraçar esta caminhada que não acaba. E caminhar.

Aprendizados no Curso de GTD em Belo Horizonte

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