como construímos conceitos em nossas práticas pedagógicas

como construímos conceitos em nossas práticas pedagógicas
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se você estuda pedagogia, se você é professora ou trabalha com educação de alguma forma, você provavelmente já escutou as seguintes frases e, provavelmente, você até concorda com elas:

  • os estudantes precisam ter autonomia;
  • precisamos ser mais empáticos;
  • precisamos promover mais conexões entre as pessoas envolvidas no processo de ensino-aprendizagem.

eu concordo com essas afirmações. e acredito que pouquíssimas pessoas discordem delas – porque elas são extremamente vagas e podem significar qualquer coisa. é como afirmar: precisamos melhorar a qualidade da educação. qualquer pessoa concordaria com essa frase, no entanto, podemos divergir (e muito!) sobre o que significa qualidade da educação e como melhorá-la.

significando

quando pensamos em conceitos como autonomia, empatia , criação de conexões ou outros conceitos mais vagos, precisamos pensar no que esses conceitos significam e como se materializam. independente se você está trabalhando sozinha ou em equipe, pergunte-se:

  • como significo esse conceito?
  • como ele se materializa?

só a partir disso você poderá criar estratégias para desenvolvê-lo com seus estudantes.

estruturando

aprender a ser mais autônomo ou a ser mais empático é um processo de aprendizagem como qualquer outro. isso quer dizer que não podemos contar que os alunos desenvolvam essas habilidades ou atitudes por conta própria – é necessário criar o processo pedagógico de forma intencional, estruturada e coerente.

não é suficiente colocar as pessoas para trabalhar em grupo e esperar que elas desenvolvam a empatia. não é suficiente colocar as pessoas em roda para que elas dialoguem. não é suficiente colocar as pessoas em um grupo e esperar que elas criem conexões. não é suficiente permitir que um estudante escolha seu caminho de estudo para desenvolver autonomia. precisamos de estrutura.

estruturamos o processo a partir da nossa intencionalidade – que surge a partir de como significamos os conceitos e como podemos percebê-los de forma material.

com intenção pedagógica bem definida, conseguimos definir as melhores estratégias para alcançar os objetivos desejados. então, é possível pensar no processo com estrutura e coerência.

como assim coerência?

coerência tem a ver com a corporificação (como diria paulo freire em pedagogia da autonomia) dos conceitos.

se a criação de conexões é um valor e uma prioridade para a minha prática, como eu a vivo no meu cotidiano com meus alunos?

essa é uma pergunta que vale para qualquer conceito que você escolha priorizar na sua prática e cuja resposta varia a depender das suas significações. mas, em todo caso, a coerência é limitada – seja pela instituição onde lecionamos, pela estrutura física a qual somos submetidos ou pelo currículo que precisamos seguir.

mesmo assim, pensar na coerência é um convite para pensar em aspectos da nossa prática pedagógica que não costumamos pensar e que, muitas vezes, tem a ver com as nossas limitações – do design da sala de aula, às carteiras utilizadas, ao formato do material didático, ao próprio currículo e organização pedagógica da instituição.

por mais que não possamos mudar esses aspectos, pensar sobre eles é importante para entender nossas limitações e ter consciência sobre até onde nós conseguimos ir ou não e porquê. a partir disso, conseguimos elevar o nível do debate e melhorar nossos argumentos para pensar em mudanças estruturais.


essa postagem surge não como resultado de algumas reflexões, mas como materialização desse processo de pensamento. ou seja: não pretendo concluir nada, mas escrever algumas considerações acerca de algumas questões.

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