aprendizagem autodirigida na graduação – sobre expectativas e realidades

aprendizagem autodirigida na graduação – sobre expectativas e realidades
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estou participando do Masters of Learning – um curso que mais é um mergulho, uma jornada de aprendizagem autodirigida.

confesso que não estou participando dos encontros, porque a minha capacidade de interagir com pessoas desconhecidas está bastante limitada ultimamente. apesar disso, participo de forma assíncrona estudando todos os materiais oferecidos e assistindo às gravações que me interessam mais. e, mais importante que tudo isso junto: participo incorporando tudo que aprendo na minha vida.

e tenho feito algumas reflexões que espero compartilhar com vocês, como quem compartilha um diário de viagem.

li na última semana alguns textos do desafio 30 dias de hábitos de aprendizagem, escrito pelo alex bretas, facilitador do curso. e li também esse texto: 10 comportamentos do aprendiz autodirigido em cursos formais. e eu me dei conta de que:

  1. eu já desenvolvi vários hábitos e comportamentos necessários para desenvolver a aprendizagem autodirigida – e isso tem super a ver com a minha história de vida!
  2. as minhas graduações seriam outras se eu não fosse, em essência, uma aprendiz autodirigida.
  3. para ser uma aprendiz autodirigida eu preciso estar intensa e profundamente conectada comigo mesma.

pretendo explorar mais esses dois tópicos em outros textos. por ora, quero compartilhar um pensamento que compõe o tópico 2: a minha formação na pedagogia.

quando entrei na faculdade, muito ouvia dizer sobre paulo freire. sabia que ele era importante. todos os professores, de todas as disciplinas falavam sobre ele. e eu vinha de uma realidade na qual eu nunca tinha ouvido falar sobre paulo freire. eu não sabia dizer se ele estava vivo ou morto.

assim que pude, peguei emprestado na biblioteca o livro pedagogia do oprimido. se eu fosse esperar que um professor demandasse a leitura deste livro, estaria esperando até agora. quando eu lia um texto que eu gostava, buscava mais do mesmo autor. pedia indicações e estudava. ia até a biblioteca e explorava mais.

uma das minhas grandes parceiras na faculdade entendeu que gostaria de estudar psicologia socialista. outra amiga da pedagogia entendeu que gostaria de pesquisar sobre educação sexual. as disciplinas que cursamos e as nossas experiências durante o curso foram essenciais para nos fornecer o mínimo de substrato por onde poderíamos caminhar. mas precisamos construir nossos caminhos – e caminhar. não estudamos nada disso, de forma específica, no curso.

no meu primeiro período na faculdade, eu literalmente participei dos grupos de pesquisa comandados por todos os professores que me davam aula no semestre. bem cara de pau.

eu questionei, desde o princípio, as estruturas e pensei em proposições para alterá-las.

se você espera que a graduação alcance todas as suas expectativas de aprendizagem, dê dois passos para trás. com certeza, você vai aprender muito mais do que espera. por outro lado, muito provavelmente você espera aprender coisas que sequer fazem parte do currículo formal do curso.

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