a relação entre rotina e horários

a relação entre rotina e horários
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sem dúvidas, essa é a maior queixa que eu recebo no instragam: não consigo manter horários. dificilmente essa frase vem associada a atrasos em compromissos, mas a frustrações relacionadas ao estabelecimento eletivo de algumas rotinas.

quando falo em estabelecimento eletivo de rotinas, refiro-me à definição própria de horários para realização diária de algumas atividades. em especial, horários de estudo.

inclusive, essa é a experiência de muitas universitárias. quem estudou em escola particular ou fez cursinho pago está familiarizado com o conceito de “horário de estudos” – um planejamento semanal de estudos dividido organizado por horário em uma tabela. ele até pode servir para um c0ntexto muito específico, em especial, para adolescentes que não trabalham. no entanto, a vida adulta demanda ferramentas mais complexas e essa rotina baseada em horários não costuma funcionar.

vem comigo:

rotina ideal e rotina possível: o que você coloca no papel?

é muito comum que, ao organizar nossas rotinas em planilhas e com horários, a gente tente descrever a rotina de quem a gente gostaria de ser. colocamos vários hábitos que sequer temos: depois de acordar, às cinco da manhã, vamos fazer yoga. antes de dormir, vamos ler dez páginas daquele livro que está encostado há anos.

a rotina diz muito sobre quem somos. então, quando olhamos para ela de forma intencional, não queremos mudar apenas nossos horários: queremos ser outras pessoas. queremos ser “melhores”, viver rotinas mais coerentes com quem gostaríamos de ser.

mas é impossível ser uma pessoa nova da noite pro dia. por isso, também não é possível seguir de forma consistente uma nova rotina da noite pro dia. leva tempo. planejar uma rotina como uma lista de desejos é um caminho certo para se frustrar.

você conhece a sua rotina?

quanto melhor você compreender sua rotina atual, melhor você vai conseguir planejar mudanças! se você tem uma rotina da manhã demorada (como é o meu caso) não dá para planejar uma rotina na qual você acorda às 7h e começa a trabalhar às 7h30.

se você só tem uma hora para tomar seu café da manhã, tomar banho e lavar a louça na sua rotina possível, e deseja fazer uma refeição super elaborada com torradas, abacate e suco verde todo dia (e quem sabe, meditar também!), vale pensar: eu consigo fazer isso no tempo que tenho? eu consigo acordar uma hora mais cedo para isso? o meu momento atual permite essa rotina?

horários demais atrapalham: qual é seu nível de detalhamento?

não precisamos colocar horário pra tudo. detalhar horários demais faz com que seja impossível seguir o que planejamos.

será que precisamos detalhar o horário do banho – e, inclusive, sua duração? a duração de lavar a louça? a duração de se arrumar pela manhã?

blocos de horário costumam funcionar melhor: entre acordar e começar a trabalhar, duas horas. duas horas que não precisam ser entre 7h e 9h – mas de 7h13 às 8h55 na segunda, 7h25 e 9h12 na terça. abrançando a flexibilidade inerente do cotidiano.

estudar? uma hora e meia depois do café da tarde. pode começar às 16h ou 16h30 – depende da hora que minha sogra faz o café.

eu sugiro mesmo blocos de horário maiores e flexíveis. exemplo: atividades relacionadas à bolsa de iniciação científica segunda, quarta e sexta, entre 14h e 18h. e você planeja as atividades que pretende fazer nesse bloco sem a pressão de fazer a primeira em uma hora e a segunda, em três.

qual é o seu objetivo? qual é sua motivação?

para que você está definindo horários? por quê?

vejo que muita gente define esses horários para encaixar a vida numa rotina tida como ideal. para fazer caber no dia a dia os “hábitos de sucesso”.

ou porque alguém disse que acordar em um horário x é melhor. ou porque alguém afirma que o ideal é dormir no horário y.

se esse for o caso, tente fazer uma lista (mesmo que mental) do que você espera dessa rotina. de resultado, de desafio, do que você pode deixar pra lá se não conseguir e do que é inegociável.

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