quando meu estômago pisou no freio por mim

quando meu estômago pisou no freio por mim
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esse texto é super pessoal. para deixar registrado o que tenho sentido. para não esquecer. e, quem sabe, esse texto pode fazer alguma diferença também para você que o lê.

na última semana, não trabalhei. e desde a quarta-feira da semana anterior eu me sentia mal. só não parei no hospital para não sair de lá com covid. mas quase corri esse risco, tão forte era a dor que eu sentia. dor que não ia embora por nada. dor que remédio nenhum dava conta.

ainda não estou 100%. em alguns momentos do dia, sinto um desconforto gástrico. e meu intestino também não anda muito bem. mas dor não estou sentindo – e uau! já dá pra viver bem melhor assim.

fiz vários exames e nenhum apontou nada de esquisito. estava tudo normal. ainda aguardo a biópsia da colonoscopia, mas, provavelmente, o resultado será o mesmo: normal. confesso que esse resultado me traz um sentimento contraditório: fico feliz e bastante frustrada. é lógico que essas são boas notícias – não precisarei de cirurgia, nem de nenhum tratamento muito específico. mas, por outro lado, me sinto derrotada: o que pode estar acontecendo comigo?

eu tenho um problema muito sério de autoconfiança. não no sentido que a gente vê por aí. sabe, eu confio no meu potencial e sei do que sou capaz e reconheço quando faço bons trabalhos. mas, se estou doente ou passando por algum problema… tendo a acreditar que estou mentindo. olha que loucura: eu sinto uma dor e acho que estou inventando essa dor! se eu me sinto cansada, acho que estou inventando o cansaço. e isso vale também para fome. isso vale para quase tudo que eu sinto – e talvez por isso eu tenha tanta dificuldade de escutar o meu corpo.

eu levo essas questões para terapia comigo – sei que preciso olhar pra elas. o meu ponto, aqui e por ora, é: por que o meu corpo precisou gritar comigo?

eu dei uma acordada. se eu não viver mais da forma como eu acredito, não vou ter vida. se eu não viver mais no presente, não vou ter futuro.

entendo que estou vivendo um período de muita ansiedade. e o combo pandemia e neoliberalismo fascista (pleonasmo?) piora tudo, amplifica tudo de ruim. quem dá conta de viver no presente com um presente desse?

pois bem. algumas mudanças que já estão acontecendo por aqui:

  • desativei meu instagram. eu já tinha desativado ele no início do ano e voltei com ele no início da pandemia. os motivos são mais ou menos os mesmos só que mais fortes e incrementados. posso escrever sobre isso em outro momento, mas já adianto: essa decisão é a materialização de todas as outras.
  • entrei em estado de casulo. não quero falar muito com ninguém, sabe? não quero saber nada de nada. quero ficar fechadinha e de boinha. preciso estar mais em contato comigo mesma. preciso descobrir sozinha algumas coisas sobre mim. e preciso ser mais coerente com o que eu acredito – porque isso me faz bem.
  • estou pegando leve em todas as áreas da minha vida: trabalho na escola, leticionismo, namoro, amizades, casa, finanças e saúde. não deu pra juntar mais dinheiro esse mês? os sapatos estão sujos? demorei para responder no wpp? que pena, vida que segue. na escola: fiz o que precisava fazer? descanso. leticionismo: foco nos clientes e em tocar tranquilamente os projetos. não deu pra escrever? não deu pra gravar? que pena. vida que segue. não deu pra me exercitar? tudo bem, uma hora vai dar. e, com relação a alimentação: se eu estou comendo e não é macarrão todo dia – excelente!
  • diminuí o planejamento e tenho feito apenas um planejamento mínimo diário.

setembro, de fato, tem sido um mês de recomeço – revolucionário. é o meu setembro amarelo. minha vida já virou de cabeça pra baixo e estou me sentindo no lugar. é pra ter leveza and autoconfiança.

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