por que adjetivamos a produtividade?

por que adjetivamos a produtividade?
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eu não sei o quanto você frequenta a bolha da organização pessoal e da produtividade. por isso, vou te contar: organização e produtividade são adjetivadas o tempo todo. quem sabe, em outro momento, eu escreva um texto para refletir sobre a adjetivação da organização. hoje, quero olhar para o conceito de produtividade.

produtividade é fazer mais com menos?

pode ser! mas não é, necessariamente.

sempre que vejo a produtividade conceituada dessa forma, penso comigo: mais do quê? menos do quê? o que significa produzir mais? o que você está produzindo? quando vivemos em um sistema capitalista, precisamos nos perguntar: por que produzimos? para quem produzimos?

o contexto nos quer produtivos (no sentido de produzir mais com menos) porque somos interpretados como recurso para o sistema. precisamos ser mais eficientes, eficazes e efetivos para custar menos. vivemos em um sistema em que tempo é dinheiro – e dinheiro não pode ser desperdiçado. dinheiro precisa ser investido. dinheiro precisa estar fazendo mais dinheiro sempre.

no entanto, o nosso tempo no mundo é limitado e queremos aproveitá-lo. ou, para citar o trecho da entrevista de rubem alves no programa provocações, não queremos e nem devemos estragar o tempo. e, vivendo no mundo em que vivemos, precisamos negociar entre fazer o que é necessário e fazer o possível para encontrar alegria no cotidiano. aproveitar o tempo pra encontrar algo que seja próximo da felicidade.

por isso, algumas pessoas estão deslocando o conceito de produtividade. ressignificando. saindo da lógica capitalista da produção para trazer a lógica da presença.

é isso que faz o david allen, criador do método gtd, por exemplo. a thaís godinho, do blog vida organizada, tem um texto excelente sobre o conceito de produtividade para o gtd. esse texto também traz um breve histórico da produtividade a partir dos sistemas produtivos que ditavam a organização do trabalho nas indústrias em cada contexto capitalista. vale muito a leitura!

a thaís, inclusive, está desenvolvendo em seu doutorado o conceito de produtividade compassiva – e eu não vejo a hora de ler essa tese!

você sabe reconhecer qual é a perspectiva de produtividade do autor que você está lendo?

chamemos de autor, aqui, todo aquele que escreve e que cria. então, falamos de autores de livros mas também de criadores de conteúdo, ok?

toda dica de internet (re)produz ideologia. toda escrita se baseia em sistemas filosóficos – quer o autor reconheça isso ou não.

então, quer o autor tenha consciência ou não, ele pode estar (re)produzindo um sentido de produtividade que machuca. que te culpabiliza. que contribui para que você acredite que deva ser produtivo (no sentido de produzir mais com menos) em todo momento. que acredita que tempo é dinheiro. que estraga o tempo.

e isso importa para você, leitora, pois a forma como você interpreta produtividade impacta suas escolhas no dia a dia. e impacta a forma com a qual você se sente por escolher x em vez de y. importa porque você, sem querer, pode estar também (re)produzindo comportamentos que contribuem para um sistema opressor – no qual você é a oprimida! – sem sequer perceber.


como você compreende a produtividade? quais metáforas você usa para falar sobre o tempo?

como você quer aproveitar a sua vida?

vamos conversar <3

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