se é no cotidiano

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como eu sou quem eu sou? como você é quem você? e o que isso tem a ver com organização?

eu sei que esse é um papo brisado. e sei também que pode parecer abstrato. mas, olha, como você sabe se é ou não é uma pessoa simpática? como você sabe se é feliz? se é gentil? se gosta de tomar café da manhã ou não? se prefere literatura de ficção ou não-ficção?

algumas dessas perguntas são mais difíceis de responder do que outras.

de todo modo, eu, letícia, gosto de pensar sob a perspectiva da rotina.

sobre olhares, perspectivas e parâmetros

eu acho que não é possível afirmar que sou uma pessoa simpática se o resto do mundo me diz antipática. não posso me dizer gentil se o resto do mundo discorda disso.

existem conceitos que não dependem de muita definição pessoal. é claro que posso definir a simpatia para diferenciá-la de ser feita de trouxa. e posso definir a gentileza, quem sabe, com o mesmo propósito. mas, em linhas gerais: existe um coração para a simpatia e a gentileza. bem como existe para a saúde – por mais que eu goste de definí-la segundo parâmetros pessoais e defenda que isso seja feito! existe um sentido estabilizado que, inclusive, permite que nos comuniquemos.

por outro lado, podemos também estar delirando. eu posso me achar uma pessoa super empática até descobrir que não o sou. e eu o descubro na relação com o outro. e este outro pode ser gentil ou não – mas, esperamos que seja!

a reflexão deste tópico é: talvez o mundo ao seu redor esteja delirando e te colocando pra baixo. talvez você viva em uma bolha em que não há possibilidade para definições pessoais. talvez, as pessoas mais próximas de você definam qualquer desobediência como antipatia, grosseria ou qualquer outra qualidade negativa.

eu vivi essa falta de parâmetro. o que me dá parâmetro é a minha rotina, a minha vida material dia após dia.

a rotina enquanto parâmetro

eu prefiro não-ficção à ficção porque gasto mais dinheiro com livros do primeiro grupo do que com livros do segundo grupo. e, nas minhas leituras diárias, tendo a preferir livros do primeiro grupo também. essas leituras correm mais depressa.

eu sei que gosto de café da manhã porque faço questão de, todos os dias, tomar um café da manhã devagar. com calma.

ter a rotina como parâmetro para entender a minha personalidade e olhar para os meus sentimentos me ajudou a encontrar caminhos para responder às perguntas mais difíceis.

e precisamos de segurança para dizer para o mundo: ei, errado está você. e precisamos de autoestima para afirmar: ei, sou, sim, gentil. precisamos de parâmetros. e a rotina nos oferece esses parâmetros.


se, portanto, você estiver em dúvidas sobre alguma qualidade sua, olhe para a sua rotina. quais são os seus parâmetros para a gentileza? como vive uma pessoa gentil? você vive como uma pessoa gentil?

pensar assim me ajudou em momentos bem difíceis da minha vida. momentos de muita incerteza e muito desejo de mudança.

a rotina foi bússola e território de investigação.

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