organização evita burnout?

julho e agosto contaram com semanas… interessantes.

o mês sete começa com um grande susto: achei que estivesse covidada. depois de alguns testes descobri que os meus sintomas se deviam ao meu refluxo no estômago. pasmem e anotem: falta de ar e tosse podem ser sintomas de refluxo!

no meu caso, o refluxo e a gastrite são novos. e, provavelmente, se desenvolveram pelo uso contínuo de uma medicação para amenizar os sintomas da minha síndrome do intestino irritável – que é bem ruim, diga-se de passagem.

interrompi o uso do medicamento e, antes que meu estômago pudesse melhorar: o intestino volta a ficar ruim. vivi o pior dos dois mundos.

algumas vezes já escrevi sobre como eu me relaciono com a minha saúde e com as minhas doenças. estar fisicamente mal me abala muito emocionalmente.

nas semanas seguintes, entre julho e agosto, decidi pegar leve. fazer apenas o que era essencial e inadiável. inclusive, depois de dar duas oficinas para uma instituição de ensino superior junto aos meus sócios, decidi descansar. e descansei de verdade.

não assisti aulas atrasadas. não estudei. aceitei que o conteúdo leticionista ficaria atrasado. e descansei.

logo em seguida, quando estava pronta para voltar ao trabalho: crise familiar. mais uma semana devagar e esquisita.

o estômago melhorou. o intestino, não. mas consegui voltar ao trabalho e aos estudos. e, nesse retorno, percebi algumas coisas importantes – que, inclusive, motivaram a escrita deste texto. como voltei com muito mais energia e criatividade, apesar de ainda não estar com a saúde bacana, acredito que passei por algo próximo a um burnout.

e, conhecendo a forma com a qual eu lido com processos adoecedores, eu entendo que, para mim, só poderia mesmo ser assim: reconhecer depois do acontecido. nomear ao olhar para trás. pois, enquanto eu sentava e não conseguia trabalhar, eu não era capaz de compreender que estava cansada. ou melhor: exausta e de fato incapaz de criar e conectar ideias.

vamos às reflexões?

a organização é um processo de descoberta

a gente não chega sabendo. parece óbvio, mas não é.

quando fiquei doente e percebi que precisava pisar no freio, tentei entender o que poderia ser feito de forma diferente. quais projetos poderiam esperar? quais projetos precisam seguir mas podem andar mais devagar? essas reflexões são mais fáceis quando nós temos, de fato, os projetos organizados. fica mais fácil observar quais são as consequências de cada ação. fica mais fácil perceber o que estou priorizando ao abrir mão disso ou daquilo.

o que não significa que seja fácil, de fato, abrir mão de um projeto.

e, talvez, este seja o ponto aqui: para quem gosta de abraçar o mundo, é mais fácil se envolver em novos projetos do que abandoná-los. é mais automático aceitar um novo projeto do que negá-lo. pra quem gosta de experimentar o mundo, o modus operandi é de experimentar antes de testar com x possibilidades ao mesmo tempo antes de entender que só cabem metade de x na sua rotina. afinal: qual metade escolher?

não sei bem como lidar com isso. sei que não é saudável lotar minha agenda com projetos e esperar um burnout para decidir o que fica e o que sai. essa, inclusive, não é a minha recomendação. esse é um abraço – porque talvez essa dinâmica seja tão inevitável para você como é para mim. quero pensar junto e propor outras saídas.

no momento, estou pensando a partir do ocorrido: já foi. aprendi alguma coisa para tentar evitar o próximo burnout?

organização para observar tendências

talvez uma forma de evitar o próximo burnout seja perceber o que de fato é ou não possível para minha rotina. e, novamente: parece óbvio, mas não é.

por exemplo: estudar é super importante pra mim. minha relação com a educação é muito forte e eu pretendo corporificar cotidianamente o ensinamento de paulo freire: estudar é um dever revolucionário. no entanto, cada estudo é muito único porque se articula de formas diferentes comigo.

eu tenho uma editora de materiais didáticos. sou editora, administradora, revisora pedagógica e autora. lançar a editora aconteceu naturalmente: eu criava materiais didáticos inovadores & bilíngues & interdisciplinares para uma rede de escolas. antes de pedir demissão, já havia fechado projetos com duas professoras de língua estrangeira. mas eu não sabia nada sobre processo editorial. nada.

aprendi muita coisa na prática? sim. mas também decidi fazer um curso sobre edição. ainda, por conta da editora e do leticionismo, comecei também a fazer aulas particulares de design gráfico. além disso, estava tentando estudar francês e comecei a fazer aulas de guarani – porque sim. por conta própria, seguia estudando sobre organização (pessoal e do trabalho), sociedade e pedagogia (em especial, história da educação e formação de professores).

depois do burnout, mantive apenas os estudos de guarani e organização. por quê? porque sim. porque posso acessar depois e com mais calma as aulas sobre edição. porque aprender francês tem uma relação com a vida profissional que o guarani não tem, porque o guarani tem me feito olhar para mim e para minha relação com o mundo de uma forma que o francês não fazia – e que, no momento, tem sido essencial. porque sim.

a tendência que observei é que meu estudo precisa ser diletante. ele precisa ser porque sim.

e decidir manter um estudo em vez de outro tem pouco a ver com o tempo que isso ocupa na minha semana. tem mais a ver com o papel que isso cumpre para mim.

estudar no domingo é prazeroso – porque eu estudo para mim, e não para minha carreira.

a organização dos projetos abandonados

observar as tendências é fundamental para encontrar equilíbrio entre os nossos projetos.

escolher estudar mais guarani e menos edição foi uma forma de equilibrar o tempo de trabalho com o tempo de estudo diletante – entendendo o papel que cada estudo cumpria na minha rotina.

para abandonar os projetos, é preciso entender o papel que eles cumprem na nossa vida. o mesmo vale quando queremos conscientemente acelerar ou frear projetos.

dei o exemplo relacionado aos estudos. vamos ver um exemplo relacionado ao trabalho:

há projetos que são investimentos, enquanto outros promovem retorno financeiro imediato. você pode, por exemplo, ser paga para escrever um livro – ou escrever um livro e receber a partir de sua venda. um mesmo projeto – escrever um livro – pode ocupar diferentes lugares na sua vida. e isso tem efeito na sua rotina! uma mesma ação – escrever – pode ser revigorante ou cansativa.

no meu caso: gosto muito de criar conteúdo. em especial, para o blog e para o youtube. mas me pesa muito ter que me manter presente no instagram e principalmente, ter que planejar o conteúdo pensando em estratégias de marketing. isso significa, para mim, pisar no freio: escrevo este post em 10 de agosto para ser postado no dia 31 do mesmo mês. ter antecedência tem se mostrado importantíssimo para mim.

pois bem: é percebendo essas dinâmicas que podemos promover mudanças no nosso dia a dia e, quem sabe, evitar o próximo burnout.


quando a gente se organiza, fica mais fácil:

  • perceber as mudanças que precisam ser feitas;
  • e mudar, de fato, no dia a dia.

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