update de vida

quem me acompanha sabe que eu tenho um problema de saúde. agora, praticamente diagnosticado: síndrome do intestino irritável. o buraco pode ser mais embaixo – mas, de todo modo, seis anos de diarreia crônica veio cobrar o seu preço.

em alguma postagem anterior, eu falava sobre burnout. eu achei que pudesse estar passando por um momento de estafa. ou, talvez, eu estivesse desenvolvendo uma depressão. fato era: a cabeça não estava funcionando. eu não estava conseguindo criar – e esta é a essência de tudo que eu faço. o corpo estava cansado. eu estava sem perspectiva – muito provavelmente pela soma da incapacidade imaginativa com a falta de tesão para viver. o meu cotidiano, que eu aprecio bastante (apesar da pandemia!), estava me causando tédio.

em resumo: eu não era eu.

entrei no modo economia de energia. encontrei virtualmente com a nath, do organização contemporânea – que compreende profundamente as bases do meu sistema de organização e fala a mesma língua que eu. ela segurou na minha mão e me ajudou a ver o que eu podia ou não podia deixar para depois. eu faria apenas o essencial e renegociaria prazos e rotinas – comigo e com quem trabalha comigo.

já faço análise há anos. era o momento de procurar uma psiquiatra. depois de me ouvir, ela explicou que eu parecia estar desenvolvendo um quadro depressivo – que poderia ser depressão, burnout ou efeito da pandemia. pois que começo a tomar uma medicação e decido passar um tempo com minha família em vila velha, no espírito santo.

dois dias depois da minha chegada, meu intestino entrou em crise. o que já não funciona bem normalmente parou de funcionar. eu perdia as contas de quantas vezes ia ao banheiro todos os dias. eu podia ver o movimento dos meus órgãos na barriga, de tão acelerado o peristaltismo. eu podia comer bananas e tomar água de coco e não consumir leite e derivados (que já não fazem parte da minha dieta): nada adiantava. além disso, com orientação da psiquiatra e da gastro, interrompi o tratamento para o quadro depressivo.

retornei para campinas depois de duas semanas. o corpo seguiu em crise. toda essa situação durou um pouco mais de um mês.

com sorte, a cabeça voltou a funcionar

talvez o remédio tenha começado a fazer efeito – e isso foi suficiente. talvez houvesse um espírito obsessor comigo e ele foi embora. talvez este tempo no modo de economia de energia me fez, de fato, recuperar energia. talvez um pouco de tudo.

de todo modo, não estou completamente recarregada. algumas rotinas estão sendo retomadas – e ter vontade de viver ajuda bastante! outras, só retornarão em breve. eu sigo tentando escutar meu corpo e respeitá-lo – o que é muito difícil pra mim, pois são quase 30 anos de uma vida tentando ignorar e deslegitimar o que ele diz.

às vezes, ainda, preciso parar um pouco no meio do dia e deitar no sofá. não cancelei a matrícula na academia, mas ainda me sinto fraca demais para atividade física. ir ao supermercado me cansa como se eu tivesse corrido uma maratona.

mas o corpo…

a síndrome do intestino irritável é cotidiana. há momentos em que ela piora, como este que eu vivi agora. eu precisei ir ao hospital duas vezes em menos de um mês para me hidratar – é claro que não estou bem.

meus níveis de ferro e b12 já eram baixos. e, olhando para trás, sinto que fui um pouco negligenciada pelos médicos que não me recomendaram suplementação – uma vez que o peristaltismo acelerado prejudica a minha absorção. o ponto é: agora, provavelmente, estou com deficiência.

talvez, mais um elemento para descrever o que eu vivi mentalmente foi o desbalanço nutricional de tantos anos com uma condição – e que finalmente cobrou o seu preço.

o buraco é mais embaixo

estou em tratamento.

tenho vontade de jogar uma pedra na cabeça de quem me diz para diminuir o estresse. viver é estressante – se os problemas do mundo não afetam alguém, é esta pessoa quem precisa de tratamento. eu já faço o possível para ter uma rotina menos estressante. o buraco é mais embaixo.

muitas pessoas me contam sobre alimentos que seguram o intestino. e eu agradeço, sei que a intenção é boa. mas, o buraco é mais embaixo: já fiz muitas alterações na minha dieta. não tenho intolerância à glúten ou à lactose. esta diarreia não é desencadeada pelo que eu como. o buraco é mais embaixo.

isso tudo pra dizer que: estou melhor, mas não cem porcento

vou retornando da forma que se faz possível, conforme minhas prioridades e conforme o meu corpo permite. é minha vida quem dita o meu ritmo de trabalho, não o contrário.

por ora, no leticionismo:

  • seguem os cursos individuais – a agenda de final de ano para quem quer se organizar já está aberta!
  • postagens na vitrine (instagram) estão de volta e acontecerão de segunda à sábado.
  • serão postados artigos na revista (este blog!) toda quinta-feira: para você se inspirar na virada de uma semana para outra.
  • o café (newsletter café com let) retorna em breve – com textos mais pessoais e reflexivos sobre o universo da organização pessoal.
  • a sala das professoras (podcast negacionismo contemporâneo) segue de recesso.
  • o auditório (youtube) segue fechado – até que eu consiga consolidar novamente a rotina de produção de conteúdo.

espero encontrar com vocês nos corredores e espaços de aprendizagem da escola.

ah! e se você não sabe, eu tenho duas outras iniciativas: a muda e a editora bergantini. se você gosta da minha perspectiva sobre educação, recomendo que você também acompanhe o meu trabalho por lá!

sintam-se em casa.

let <3

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